Norte Pioneiro do Paraná

Crédito: Rodrigo Czekalski

A Associação dos Cafés Especiais do Norte Pioneiro do Paraná (ACENPP) recebeu a certificação em maio de 2012. A conquista é um dos resultados do Projeto de Cafés Especiais, que teve início em 2006. O Norte Pioneiro envolve 46 municípios e reúne 7.500 cafeicultores, responsáveis pela produção de cerca de 2,2 milhões de sacas por ano, o que corresponde a 57% a produção paranaense de café em 2015

O café especial do Norte Pioneiro do Paraná foi o primeiro produto produzido naquele Estado a receber certificação de Indicação Geográfica -IG. Seu cultivo é favorecido por condições de clima e solo que proporcionam o ciclo completo de maturação da fruta e, posteriormente, dos grãos, fatores que, conferem atributos especiais e qualidades sensoriais ao café da região.

O Norte Pioneiro do Paraná abrange 46 municípios e 7.500 cafeicultores, que produzem aproximadamente 2,2 milhões de sacas por ano. A meta dos produtores é manter a organização e buscar mais tecnologias para que a região possa explorar melhor suas potencialidades. Os produtores estão reunidos em duas cooperativas que, além da região Norte Pioneiro, inclui também o Norte do Paraná.

O café do Norte Pioneiro já é exportado há 5 anos e, atualmente, a capacidade e a tecnologia de produção e colheita estão sendo aprimoradas com o objetivo de aumentar qualidade, agregar valor e atender a demanda em constante crescimento.

Procedência

Registro IG 200903 INPI Indicação de Procedência/2012 
Área Geográfica Delimitada: 155 mil ha (45 municípios das regiões Norte e Norte Pioneiro do Paraná) Altitude: 500m e 900m

Garantia da Origem

A IG atribui identidade própria ao produto ao garantir a origem, os processos de produção e algumas características sensoriais do café produzido na região, de acordo com as normas estabelecidas para a concessão do selo de qualidade pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial-INPI. Também representa o reconhecimento das qualidades particulares do produto, agregandolhe valor no mercado nacional e internacional, e visibilidade e projeção da região no mundo. Além disso, permite proteção do produto (reduzindo as falsificações) e de sua variedade e imagem, da renda do produtor, dos direitos do consumidor, da riqueza e do desenvolvimento, do território, da cultura e da tradição da região.

Valor agregado

Com a conquista da Indicação de Procedência-IP, os produtores passaram a receber valor 25% superior pela saca de café. Os órgãos públicos de apoio e fomento pretendem reforçar o quadro de funcionários da assistência técnica, a fim de ajudar os cafeicultores a elevar a produtividade que, em média, é de 23 sacas/hectare, para 40 sacas por ha. Outro objetivo é formar especialistas em degustação para conferir a qualidade da bebida e a instalação de 330 unidades demonstrativas para o reconhecimento do processo de produção, ações que deverão valorizar entre 30% e 35% o café especial em relação ao preço do mercado.

A certificação do Norte Pioneiro do Paraná como região produtora de cafés especiais é fruto de um trabalho intenso realizado por várias instituições representantes e parceiras da cadeia produtiva do café na região, que formam o Consórcio Pesquisa Café. Entre as instituições diretamente envolvidas estão o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), e a Embrapa Café, que coordena o programa de pesquisa, e a Cooperativa de Cafés Especiais Certificados do Norte Pioneiro do Paraná (Coenpp), entre outras.

Há 15 anos, o trabalho conjunto entre produtores, pesquisa, ensino, extensão, indústria e governo iniciou a busca por melhorar a qualidade do café produzido na região. Os produtores, por sua vez, precisaram rever suas concepções sobre técnicas de cultivo e manuseio do café e foram capacitados em boas práticas, como aquisição de mudas de qualidade, adoção de técnicas de proteção do solo, adubação, adensamento, redução de agrotóxicos nas lavouras e rastreabilidade da produção, entre outras.

Condições favoráveis

O Programa de Cafés Especiais também deu origem, em 2014, ao Programa 100% Qualidade, que promove a capacitação dos agricultores voltada para certificação, gestão da propriedade, aproveitamento de resíduos e técnica de manejo de café cereja descascado.

100% Qualidade

O Projeto de Cafés Especiais, lançado em 2006, mostrou o potencial de mercado desses grãos e revelou aos agricultores um novo modelo de produção. Especialistas do Instituto Agronômico do Paraná-Iapar realizaram testes visando embasar as avaliações das características regionais do café, além da análise bioquímica e sensorial.

As condições climáticas da região são ideais para a produção de cafés finos. As temperaturas médias anuais entre 19 e 22°C, a altitude entre 500m e 900m, as qualidades da “terra roxa” e a precipitação pluviométrica, que permite o cultivo sem irrigação, ou com irrigação complementar, são determinantes para a bebida.

Tais características também favorecem a fixação mais intensa dos atributos e conferem excelente caracterização da bebida, como doçura intensa, suavidade, corpo equilibrado, acidez cítrica agradável e marcante sabor residual, com sabor e aroma oscilando entre chocolate, caramelo, floral cítrico e frutado.

História e tradição

O Norte Pioneiro do Paraná foi a porta de entrada para a colonização de toda a região norte paranaense. Quando os cafeicultores iniciaram a subida do curso do rio Paraíba, identificaram o planalto de São Paulo como ideal para suas plantações, local onde começa a convergência do cultivo para as terras roxas do oeste paulista. Consequentemente, São Paulo passou a ser o principal produtor de café do Brasil e o principal fornecedor para o mercado externo.

No entanto, implementada a cobrança de impostos por novos pés de café, para conter o avanço da cafeicultura, os fazendeiros do sudeste de São Paulo se sentiram motivados a fazer novas plantações e escolheram as terras roxas e férteis do Paraná.

O cultivo itinerante do café determinou a vinda de diversos tipos de imigrantes, gerou construções de ferrovias e estabeleceu as relações econômicas da região. Mais de 200 cidades surgiram na metade do século XX, tais como Jacarezinho, Cornélio Procópio, Londrina e Maringá. Tradicionais famílias vivem na região, com mais de 100 anos de rica história ligada à produção de café.

Programa mundial de pesquisas

O parque cafeeiro paranaense chegou a representar aproximadamente 40% da área cultivada e 50% da produção nacional de café até meados de 1975, quando a geada quase dizimou as plantações. Atualmente, a região do Norte Pioneiro responde por cerca de 50% do café paranaense, que produz de
1,6 a 2 milhões de sacas por ano.

O Brasil desenvolve o maior programa mundial de pesquisas em café, que reúne mais de 700 pesquisadores, de cerca de 40 instituições, envolvidos em 74 projetos dos quais fazem parte 355 Planos de ação. A interação entre as instituições e a união de recursos humanos, físicos, financeiros e materiais, permitem elaborar projetos inovadores. Esse arranjo institucional atua em todos os segmentos da cadeia produtiva, tendo por base a sustentabilidade, a qualidade, a produtividade, a preservação ambiental, o desenvolvimento e o incentivo a pequenos e grandes produtores.

Mais informações: Cooperativa de Cafés Especiais Certificados do Norte Pioneiro do Paraná (Cocenpp)
– Associação de Cafés Especiais do Norte Pioneiro (Acenpp).

Tel.: (43) 3556-1840
www.acenpp.com.br
cocenpp@cocenpp.com.br

 

Fonte: Revista A Lavoura – Edição nº 711/2015

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